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Brasil avalia propor um acordo comercial parcial entre o Mercosul e a China

O Brasil avalia propor, pela primeira vez, um acordo comercial parcial entre o Mercosul e a China, uma mudança de postura significativa em relação à sua política tradicional. Historicamente, o país vetou negociações formais com Pequim para proteger setores industriais da concorrência chinesa. No entanto, diante do realinhamento global provocado por tarifas dos Estados Unidos e do avanço da China em acordos na América Latina, o governo Lula considera rever essa posição. O movimento ganhou força após a visita do presidente uruguaio Yamandú Orsi à China. Na ocasião, ele e Xi Jinping expressaram o desejo de iniciar negociações de livre comércio com o bloco ‘o mais rápido possível’.

O plano brasileiro não contempla um pacto amplo e imediato, mas sim um acordo parcial. Ele está limitado a algumas linhas tarifárias e barreiras não tarifárias, como cotas de importação, normas sanitárias e procedimentos aduaneiros. Essa seria uma forma de abrir o mercado chinês de maneira gradual, sem desproteger a indústria nacional. Autoridades brasileiras envolvidas nas discussões afirmam que essa abordagem reflete um ‘novo cenário global’. Além disso, há a necessidade de diversificar parceiros comerciais, especialmente diante das tensões e tarifas impostas por Washington.

Avanço das negociações

Apesar do interesse de Brasília e de Montevidéu, o avanço das negociações enfrenta obstáculos políticos dentro do próprio Mercosul. O Paraguai mantém relações diplomáticas com Taiwan, o que tradicionalmente complica tratativas com a China, embora o governo paraguaio de Santiago Peña tenha sinalizado disposição em negociar, desde que preservado seu vínculo diplomático com Taipei. Ainda assim, o país importou mais de US$ 6 bilhões da China em 2025, indicando que a cooperação comercial avança independentemente do impasse diplomático.

A Argentina, sob a presidência de Javier Milei, surge como outro fator de incerteza. Com uma política externa mais alinhada aos Estados Unidos e dependente de apoio financeiro de Washington, Buenos Aires pode se mostrar reticente a um acordo liderado por Pequim. Apesar de a China continuar sendo uma compradora essencial de produtos agrícolas argentinos e importante credora, analistas acreditam que Milei evitará um pacto visivelmente pró-China que possa prejudicar seus planos de reforçar os laços com os EUA.

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