São Paulo, 24 de julho de 2026 – O mercado financeiro global sinaliza uma sexta-feira mais calma. Após uma quinta tensa, bolsas sobem e o petróleo recua, assim como o dólar e os treasuries. Este movimento, apesar de técnico, sugere um maior apetite ao risco, que deve se estender aos ativos nacionais.
No exterior, o foco segue voltado para o conflito no Oriente Médio, para a continuidade da temporada de balanços e para a nova rodada de tarifas anunciadas ontem pelo governo Trump, atingindo 60 economias. No Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, falam em evento em São Paulo, no final da manhã. À tarde, será divulgado o relatório fiscal do governo.
Na quinta-feira, o S&P 500 e o Nasdaq registraram suas maiores quedas diárias em um mês, à medida que aumentaram as dúvidas sobre a sustentabilidade do ciclo de investimentos em inteligência artificial. Os resultados divulgados por Alphabet e Tesla reforçaram as preocupações dos investidores com o elevado ritmo de investimentos e o consumo de caixa das gigantes de tecnologia.
Antes da abertura desta sexta-feira, a Intel informou projeções de lucro e receita trimestrais acima das expectativas do mercado e anunciou planos para ampliar seus investimentos ao longo dos próximos dois anos. As ações da companhia avançavam 5,3% no pré-mercado. Apesar disso, o setor de semicondutores continuava pressionado, refletindo a realização de lucros após a forte valorização acumulada ao longo do ano.
No campo da política comercial, o governo Trump anunciou novas tarifas de 10% e 12,5% sobre produtos provenientes de 60 parceiros comerciais, incluindo Europa e China. Segundo a Casa Branca, a medida tem como objetivo reforçar o combate ao trabalho forçado e substitui a tarifa global temporária de 10%, que expirou nesta semana.
Analistas avaliam que o novo pacote foi menos agressivo do que o inicialmente esperado, principalmente por incluir exceções destinadas a reduzir os impactos imediatos sobre os preços ao consumidor.
O cenário geopolítico também continuava no foco dos investidores. Trump voltou a ameaçar impor uma “grande punição militar” ao Irã e aos rebeldes houthis, após ataques contra dois navios-tanque sauditas no Mar Vermelho.
O Federal Reserve realiza sua próxima reunião de política monetária na semana que vem. Segundo a ferramenta FedWatch, da CME, o mercado passou a atribuir cerca de um terço de probabilidade a uma alta de juros, ante 12% registrados uma semana atrás. Além da decisão do banco central, os investidores acompanharão na próxima semana a divulgação do índice PCE, medida de inflação preferida do Fed.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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