São Paulo, 11 de agosto de 2026 – O mercado financeiro global iniciou a terça com menor apetite ao risco. Bolsas recuam, enquanto petróleo, dólar e juros sobem, refletindo o aumento das incertezas em relação ao conflito no Oriente Médio. No campo doméstico, os investidores avaliam a ata da mais recente reunião do Copom, divulgada há pouco, e aguardam o IPCA de julho (mercado aposta em avariação mensal de 0,03% e anual de 4,4%).
Segundo a agência Dow Jones, no fim de semana, o Irã afirmou estar próximo de um acordo com Omã para a reabertura do Estreito de Ormuz, mas apresentou uma série de condições aos Estados Unidos. Na segunda-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Teerã precisará pagar compensações pelas mortes de militares dos Estados Unidos ao longo das últimas décadas antes que um acordo possa ser alcançado.
As atenções dos investidores se voltam agora para os dados de inflação dos Estados Unidos, previstos para amanhã. O indicador será acompanhado em busca de novos sinais sobre a trajetória dos juros após o relatório de emprego de julho mostrar uma inesperada redução dos postos de trabalho.
Ata do Copom
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) avalia que as evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica têm se acumulado gradualmente. “Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”.
Segundo o documento, choques de oferta têm exercido influência relevante tanto sobre a trajetória recente da inflação quanto sobre sua trajetória prospectiva. O Copom avalia que que não deve reagir aos efeitos primários de choques dessa natureza, mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem.
No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, prossegue a ata, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.
“O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas”, alerta o Copom. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities“, completa.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta”.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,0% e 4,2%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2% no cenário de referência.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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