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PRÉVIA COPOM: Indicadores recentes ratificam provável corte de 0,25 ponto na Selic

São Paulo, 15 de setembro de 2026 – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne na terça e na quarta para definir o futuro da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para os próximos 45 dias. A decisão será anunciada no final da quarta, a partir das 18h30.

A maioria do mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14% ao ano.

As instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus, divulgada na segunda, estão indicando Selic a 13,75% no final do ano. Com base em indicadores recentes apontando inflação abaixo do esperado e economia apresentando desaceleração, a maior parte do mercado aposta no corte.

O dashboard de opções do Copom, da B3, apontava, na segunda, 14, 95,75% de chances de corte de 0,25 ponto. A manutenção do juro tem 2,50%. Os recentes dados divulgados pelo governo aumentaram a aposta de um corte.

Segundo a SulAmérica Investimentos, o comitê deve reduzir a taxa Selic novamente em 25 pb, dando continuidade ao ciclo de calibração iniciado em março. “O comunicado deve trazer poucas alterações em relação ao anterior, com as projeções de inflação para o horizonte relevante situando-se entre 3,2% e 3,3% — patamar próximo ao reportado na última reunião (3,2%)”.

Na avaliação dos economistas da SulAmérica, o comitê deve continuar testando a margem para novos cortes enquanto as expectativas de inflação seguirem ancoradas e os dados de atividade indicarem desaceleração econômica. “Por essa razão, a autoridade monetária não deve fornecer indicações sobre os próximos passos, mantendo a postura dependente de dados”.

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, acredita que o corte na Selic é sustentado pelo IPCA de agosto, que registrou deflação de 0,32%, puxada pelo alívio no preço da energia elétrica, e por sinais de perda de fôlego na atividade doméstica, como a queda no consumo das famílias no PIB do segundo trimestre. A aposta é de novos cortes apenas em 2027.

O Bank of America (BofA) lembra que este corte seria o quinto corte consecutivo dos juros, em uma decisão que o banco espera ser unânime. Para o BofA, a decisão desta semana é a parte menos controversa do cenário. A principal discussão está na trajetória posterior da política monetária. O banco adota uma visão mais favorável a cortes do que a precificada pelo mercado e prevê reduções de 0,25 ponto percentual em todas as reuniões até dezembro de 2027.

Nesse cenário, a Selic terminaria 2026 em 13,25% e chegaria ao final de 2027 em 11,25%. As projeções ficam abaixo das medianas da pesquisa Focus de 4 de setembro, que apontavam taxas de 13,75% e 12,00%, respectivamente.

Segundo o BofA, o mercado já incorpora o corte de setembro, mas precifica posteriormente uma pausa prolongada e uma retomada mais moderada da flexibilização monetária. Na avaliação do banco, os investidores estão atribuindo peso excessivo aos riscos eleitorais e às pressões inflacionárias destacadas pelo Banco Central e atenção insuficiente à desaceleração já observada na atividade econômica e no crédito.

A divergência não está concentrada nas projeções de inflação. O BofA destaca que suas estimativas estão próximas do consenso. O Focus indicava inflação de 5,00% em 2026 e 4,29% em 2027. A diferença está principalmente na avaliação sobre como o Banco Central deverá reagir ao cenário econômico.

Em relação ao comunicado desta semana, o banco espera uma postura um pouco menos dura do Copom. Na avaliação sobre a atividade, o BofA acredita que o colegiado poderá reconhecer de forma mais clara a desaceleração da economia. Na inflação, as recentes surpresas baixistas e a melhora das medidas de núcleo abririam espaço para uma avaliação mais confortável sobre a dinâmica dos preços subjacentes.

A XP Investimentos aponta que, desde a última reunião do Copom, o fluxo de notícias e dados econômicos tem sido misto para o cenário de inflação. O ambiente global deteriorou-se, enquanto os indicadores domésticos seguem apontando para desaceleração econômica e desinflação. Essa combinação deve reforçar a postura cautelosa do Copom, mas não impedir corte adicional na taxa de juros.

“O Copom provavelmente anunciará novo corte de 0,25 p.p. na taxa Selic, para 13,75%. A nosso ver, a maior parte do comunicado pós-decisão ficará inalterada em relação à reunião anterior. Dito isso, o Comitê deve enfatizar as evidências adicionais de desaceleração da atividade doméstica”, aponta a XP.  “Nosso cenário-base prevê extensão do ciclo de calibração de juros nos próximos meses, com a taxa Selic atingindo 13,25% no final de 2026 e 11,50% em 2027. A magnitude e a intensidade do ciclo continuam dependendo da sinalização de política fiscal do próximo governo (após as eleições de outubro) e da evolução dos choques de oferta globais”, completa.

O Itaú também espera um corte de 25 p.b. na reunião de setembro, levando a taxa Selic para 13,75%. A decisão deve ser unânime e refletir a avaliação de que o cenário base evoluiu em linha com o esperado no âmbito doméstico, com moderação gradual da atividade e recuo da inflação corrente, enquanto expectativas de inflação não tiveram deterioração adicional e cenário externo permaneceu incerto.

Também repetindo o que foi feito na reunião passada, o Comitê deve manter a porta aberta, sinalizando dependência de dados e ausência de forward guidance explícito. A comunicação deve enfatizar serenidade e cautela diante do cenário de incerteza, desancoragem e riscos elevados, indicando manutenção de restrição monetária adequada para convergência da inflação à meta”, conclui.

Dylan Della Pasqua / Agência Safras

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