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Mercado aposta em manutenção do juro básico nos EUA; Fomc discute sinalizações

Porto Alegre, 27 de outubro de 2026 – Para a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na sigla em inglês) desta semana, o mercado acredita que que a taxa básica deverá ser mantida na casa de 3,75% e 4% ao ano. O Comitê se reúne entre terça e quarta e a decisão será divulgada às 15h da quarta.

Na terça-feira, 27 de outubro, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 90,6% de chance de manutenção no anúncio que será feito na quarta. A aposta de uma elevação de 0,25 ponto era de 9,4%. Para dezembro, no entanto, o mercado aposta em aumento de 0,25 ponto (72,1%).

Segundo avaliação da agência Dow Jones, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Kevin Warsh, enfrenta resistência de dirigentes da instituição à sua proposta de reduzir as sinalizações públicas sobre os próximos movimentos dos juros. Enquanto Warsh defende uma comunicação mais restrita, outros integrantes do banco central consideram essencial explicar aos investidores como a política monetária poderá reagir às mudanças na economia.

Segundo reportagem do Wall Street Journal, os 16 dirigentes do Fed que ocupam seus cargos há pelo menos um ano fizeram 59 discursos, entrevistas e outras manifestações públicas entre a reunião de setembro e o início do período de silêncio anterior ao encontro desta semana. O número ficou próximo das 54 manifestações registradas no mesmo intervalo do ano passado, indicando que a mudança defendida por Warsh ainda não foi acompanhada pelos demais integrantes da instituição.

Warsh, que assumiu a presidência do Fed em maio, argumenta que antecipar possíveis decisões pode comprometer a flexibilidade da política monetária e criar expectativas excessivamente rígidas nos mercados. Durante evento em Bangkok neste mês, afirmou que não pretende indicar antecipadamente o que poderá fazer nas reuniões restantes do ano.

A proposta, entretanto, divide os dirigentes. A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, defende que explicar os critérios utilizados nas decisões não significa assumir compromissos sobre a trajetória dos juros. Segundo ela, famílias e empresas podem tomar decisões financeiras equivocadas caso não compreendam como o banco central pretende reagir às condições econômicas.

O presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, também questionou a estratégia de reduzir as manifestações públicas. Para ele, a ausência de explicações sobre o processo decisório não elimina os ruídos do mercado, mas aumenta a necessidade de os investidores tentarem interpretar as intenções da autoridade monetária.

Já o presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, demonstrou apoio à redução das indicações sobre decisões específicas, afirmando que prefere discutir as condições econômicas sem antecipar sua posição para as próximas reuniões.

As divergências ficaram evidentes após a elevação dos juros em setembro, a primeira em três anos. Inicialmente, os investidores passaram a considerar provável um novo aumento na reunião de outubro, mas declarações posteriores de dirigentes da instituição reduziram significativamente essas expectativas.

Há cerca de um mês, o mercado atribuía probabilidade próxima de 70% a uma nova alta dos juros nesta semana. Em 16 de outubro, último dia de manifestações públicas antes do período de silêncio, essa estimativa havia recuado para aproximadamente 15%.

O diretor do Fed Christopher Waller avaliou que o episódio demonstrou os limites de uma redução excessiva das orientações sobre a política monetária. Para ele, abandonar completamente as sinalizações condicionais sobre os juros poderia prejudicar a compreensão das decisões da instituição.

A discussão ocorre em um momento de incerteza sobre os efeitos do choque nos preços da energia, provocado pela guerra no Oriente Médio, e da expansão dos investimentos em inteligência artificial sobre a atividade econômica e a inflação dos Estados Unidos.

Embora os dirigentes concordem, em linhas gerais, sobre a necessidade de juros mais elevados, persistem divergências quanto à intensidade do aperto monetário. Parte dos integrantes considera que a política atual ainda é insuficientemente restritiva, enquanto outros enxergam os aumentos como uma proteção contra o risco de persistência da inflação acima da meta.

Um grupo de especialistas externos deverá apresentar até o fim do ano recomendações sobre possíveis mudanças na comunicação do Fed. Warsh já indicou que qualquer alteração dependerá de uma decisão do conjunto de dirigentes da instituição.

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