Porto Alegre, 28 de outubro de 2026 – O dólar comercial fechou a sessão de hoje a R$ 5,3463 para venda, com baixa de 0,03%. O dollar index, que mede a divisa americana frente a uma cesta de moedas, registrava perda de 0,18% a 102,13 pontos. O dólar futuro para novembro estava cotado a R$ 5.350,500, com retração de 0,12%.
O dia foi de volatilidade e nervosismo no mercado cambial. Internamente, as preocupações com a questão fiscal e com o ambiente político decorrete da fuga do candidato derrotado na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro, impulsionaram a moeda norte-americana.
Na parte final da sessão, no entanto, a divisa reduziu a alta e encerrou em leve baixa, refletindo a decisão sobre a política monetária americana e o tom da fala do chairman do banco central dos Estados Unidos, o Fed, Kevin Warsh.
O Fed manteve os juros entre 3,75% e 4,00% na reunião de outubro. O comunicado repetiu a avaliação da reunião anterior: a atividade continua se expandindo de forma robusta, com demanda doméstica resiliente, apesar das incertezas. Sobre a inflação, o Fed reiterou que ela permanece elevada e que prefere acumular mais informações para avaliar o caminho de volta à meta de 2%.
Dez dirigentes foram favoráveis à manutenção dos juros, enquanto dois defenderam uma alta de 25 pontos-base.
Na coletiva, Warsh destacou que o mercado de trabalho continua saudável, enquanto a inflação permanece elevada. Segundo ele, começaram a ser observadas algumas mudanças nas condições financeiras a partir de setembro, mas a avaliação é de que elas ainda não são restritivas.
Outro ponto mencionado por Warsh – que ele já havia indicado na reunião anterior – é a possível redução do número de reuniões com decisão sobre juros: seriam sete em 2027 e seis em 2028. Isso está alinhado à sua fala de que as decisões precisam considerar um horizonte temporal mais longo e contar com mais informações. Como em outras reuniões, ele não deu forward guidance sobre as próximas decisões.
“Nossa visão é que o Fed deve retomar o ciclo de alta dos juros na próxima reunião, em dezembro, com mais uma elevação de 25 pontos-base”, aponta Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo. Segundo ele, essa expectativa está alinhada à sinalização de Warsh e ao comunicado, que apontam para uma atividade econômica e um mercado de trabalho ainda saudáveis, inflação pressionada e condições financeiras que não são restritivas.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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