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Taxa Selic deve ser mantida em 13,75% na reunião de novembro do Copom

São Paulo, 3 de novembro de 2026 – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne hoje e na quarta para definir o futuro da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para os próximos 45 dias. A decisão será anunciada no final da quarta, a partir das 18h30.

A maioria do mercado aposta em manuntenção na taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

As instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus, divulgada mais cedo, estão indicando Selic a 13,50% no final do ano. Na semana anterior, a previsão era de 13,25%.

O dashboard de opções do Copom, da B3, apontava, na terça, 3, 72,50% de manutenção da Selic. Em relação a um possível corte de 0,25 ponto, as apostas são de 26%. O resultado das eleições presidenciais determinou uma reversão nas expectativas. No dia 23 de outubro, um possível corte era compartilhado por 76% do mercado.

Às vésperas da decisão do Copom, uma nova controvérsia sobre os rumos da política econômica do quarto mandato de Lula amplia as incertezas que já provocaram uma forte turbulência nos mercados após a eleição. No centro da discussão está o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, que defende uma mudança profunda na condução das políticas fiscal e monetária, incluindo a redução programada da Selic para 7,5% ao ano.

Segundo informações da BDM Online, a proposta do economista prevê a redução gradual da Selic ao longo de aproximadamente 12 meses, até 7,5%, e a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por estabelecer metas para um horizonte de quatro a cinco anos. .O economista também propõe utilizar parte das reservas internacionais, superiores a US$ 350 bilhões, para conter pressões sobre o real.

Safras & Mercado  manteve sua projeção para a Selic em 13,25% ao final de 2026, mas revisou para cima as estimativas dos anos seguintes. Para 2027, elevamos a projeção para 12,00% ao ano, enquanto, para 2028, estimamos a taxa Selic em 10,50% ao ano. “Nosso cenário considera que o quarto mandato de Lula enfrentará restrições fiscais relevantes, aumentando a necessidade de medidas de ajuste para garantir a sustentabilidade das contas públicas e o funcionamento da máquina estatal”, aponta Safras.

O banco HSBC revisou suas projeções após a eleição e agora espera que a Selic permaneça em 13,75% até março de 2027, antes da retomada gradual dos cortes. A estimativa para o fim do próximo ano subiu de 11,75% para 12,50%.  O HSBC avalia que o Copom terá de suportar sua comunicação na próxima semana, incorporando de forma mais explícita os riscos fiscais e as variações das expectativas de inflação, após elevar sua projeção para o IPCA de 2027, de 4,8% para 5%.

O Itaú espera a manutenção da taxa Selic em 13,75% na reunião de novembro. “A decisão deve ser unânime e refletir a avaliação de piora do cenário base que resulta de um contexto externo adverso e, domesticamente, de maiores pressões inflacionárias, que tendem a se traduzir em deterioração adicional das expectativas de inflação, que já se encontram desancoradas”.

Segundo o Itaú, em meio a um contexto mais adverso, com possível movimento relevante de desancoragem adicional das expectativas de inflação e uma maior assimetria no balanço de riscos em torno do cenário base, “esperamos que o comitê comunique a escolha unânime de interromper o ciclo de queda dos juros. Esperamos que o comitê reforce a necessidade de cautela na condução da política monetária e perseverança no cumprimento de seu mandato”.

Luis Felipe Vital, Chefe de Estratégia Macro e Dívida Pública da Warren Rena, acredita que o Copom deve interromper o processo de calibração e manter a taxa Selic inalterada em 13,75%. “Nossa projeção de juros foi ajustada, passando de corte de 25 pontos-base para manutenção e volta da calibração (cortes de 25 pontos-base) apenas em janeiro de 2027, sujeitos à evolução dos indicadores econômicos e dos preços de mercado”, acrescenta.

Na comunicação, espera-se que o Banco Central destaque a evolução do ciclo com a calibração que totalizou 125 pontos-base, os riscos no cenário externo, o prêmio de risco embutido nas taxas de mercado e a incerteza crescente em relação a fatores que potencialmente pressionam a inflação. “Assim, dentro do espírito de serenidade e cautela, o Banco Central faria uma pausa”.

Dylan Della Pasqua / Agência Safras

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