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Petróleo cai com mercado mantendo esperança de solução diplomática no Oriente Médio

   Porto Alegre, 3 de novembro de 2026 –   Os contratos futuros de petróleo perderam os ganhos registrados mais cedo nesta terça-feira — que haviam surgido na esteira de ataques dos EUA contra alvos iranianos — e passaram a operar em queda, em meio ao otimismo quanto a esforços diplomáticos para levar os EUA e o Irã a um acordo que encerre o conflito.

No fechamento, o Brent para janeiro caía 1,12%, a US$ 103,60 por barril na ICE. O WTI para dezembro recua 0,38%, a US$ 96,09 por barril na Nymex.

Os EUA atacaram a ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz, na segunda-feira, informou o The Wall Street Journal, citando autoridades americanas. O ataque foi o mais recente de uma série de ações militares limitadas que Washington realizou contra o Irã nas últimas semanas, mesmo com o presidente Trump sinalizando a possibilidade de um acordo diplomático.

“O mercado parece ter minimizado a importância dos ataques dos EUA contra alvos iranianos na ilha de Qeshm, já que eles não parecem ter levado a uma escalada, em um momento em que o mercado já precifica riscos elevados de um agravamento do conflito”, afirmou Samer Hasn, analista sênior de mercado da XS.com, em uma nota.

Aliados dos EUA na região do Golfo estão se preparando para a possibilidade de uma campanha militar americana mais ampla contra o Irã, o que poderia desencadear retaliações contra a infraestrutura econômica e civil em toda a região, informou o Journal em outra reportagem. Trump tem inclinado-se para um ataque de maior escala após as eleições de meio de mandato desta terça-feira, mas ainda não tomou uma decisão definitiva, segundo o jornal.

Na segunda-feira, Trump publicou na rede social Truth Social que o Irã deseja um acordo, o mais rápido possível. “Pode acontecer!”, disse ele.

“O mercado quer acreditar que chegaremos a um acordo de paz, mas acredito que esse acordo seja, fundamentalmente, parte de um esforço da administração Trump para apresentar um cenário otimista em relação a um esforço de guerra impopular, justamente no dia das eleições”, disse Robert Yawger, especialista em commodities da Mizuho Securities USA.

Enquanto isso, os riscos à segurança marítima persistem na região. Dois navios foram atingidos por projéteis não identificados na costa da Arábia Saudita e de Omã na segunda-feira, segundo a organização U.K. Maritime Trade Operations (Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido). Informou-se que as tripulações de ambas as embarcações estão em segurança e que não houve danos ambientais.

Os mercados de petróleo permanecem cautelosos diante de esforços diplomáticos intermitentes que ainda não resultaram em paz; Washington e Teerã, segundo analistas do ANZ, ainda não chegaram a um acordo sobre os termos para a reabertura total do Estreito de Ormuz.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou na segunda-feira que o líder supremo do país concedeu ao governo certos poderes para buscar a resolução do conflito por meio do diálogo, conforme informou a agência de notícias estatal IRNA.

O diretor executivo da Saudi Aramco, Amin H. Nasser, afirmou na terça-feira que o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz continua abaixo dos níveis registrados antes do conflito. Ele alertou que alguns dados divulgados contam duas vezes o petróleo bruto — primeiro no carregamento nos terminais e, depois, em transferências entre navios-tanque fora da via navegável. As embarcações também têm enfrentado longas esperas para obter passagem segura, acrescentou Nasser durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre da empresa.

As informações partem da Dow Jones.

   Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) – Agência Safras

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