A Monsanto, subsidiária da Bayer, anunciou um acordo coletivo de até US$ 7,25 bilhões para encerrar cerca de 67 mil ações judiciais nos Estados Unidos relacionadas ao herbicida Roundup, acusado de causar câncer. O programa prevê pagamentos anuais decrescentes por até 21 anos e busca encerrar tanto as reivindicações atuais quanto futuras. A proposta foi enviada a um tribunal no Missouri e ainda aguarda aprovação judicial. O acordo abrange pessoas expostas ao glifosato antes de 17 de fevereiro de 2026. Além disso, a negociação abrange pessoas que tenham ou venham a desenvolver linfoma não Hodgkin nos próximos 16 anos.
O glifosato, substância ativa do Roundup, é amplamente utilizado em cultivos de soja, milho, trigo e algodão para eliminar ervas daninhas. Mas vem sendo alvo de críticas e litígios por supostos efeitos cancerígenos. Desde 2018, quando a Bayer adquiriu a Monsanto, a empresa enfrenta milhares de processos e já desembolsou bilhões de dólares em indenizações. O CEO Bill Anderson afirmou que o acordo, junto à decisão pendente da Suprema Corte dos EUA sobre outro caso semelhante. Tal caso representa um passo importante para reduzir a exposição da companhia a incertezas legais.
Acordos paralelos
Os membros da ação coletiva poderão desistir do acordo, e a Bayer poderá suspender a proposta se o número de exclusões for elevado. A empresa também anunciou acordos paralelos para resolver outras disputas ligadas ao Roundup e aos PCB (bifenilos policlorados). Com isso, o total de obrigações judiciais da Bayer deve subir de 7,8 bilhões para 11,8 bilhões de euros, dos quais 9,6 bilhões de euros estão relacionados aos casos de glifosato.
Para viabilizar o acordo, a Bayer garantiu uma linha de crédito de US$ 8 bilhões e planeja usar futuramente instrumentos de dívida seniores, sem necessidade de aumento de capital. Além disso, a companhia declarou que, por conta dos desembolsos e provisões adicionais, projeta fluxo de caixa livre negativo em 2026, tendo adiado a divulgação dos resultados financeiros de 2025 e suas previsões para 4 de março. Dessa forma, a proposta é considerada um marco para buscar previsibilidade e restaurar a confiança dos investidores após anos de incertezas ligadas ao Roundup.