São Paulo, 6 de março de 2026 – Em teleconferência de resultados da Petrobras realizada na manhã deste sexta-feira, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que o atual cenário de instabilidade do mercado de petróleo não deve alterar a política interna de preços da companhia, que permanece sólida, nas suas palavras, em resposta a questionamento de analista sobre os impactos da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
“Estamos vivendo um momento de grande instabilidade, gerado por guerras. Temos que deixar a companhia preparada para qualquer cenário. Nossa política interna permanece sólida mesmo com esse cenário. A política [de preços] da companhia será mantida mesmo com forte variação no exterior”, disse a CEO.
O diretor de logística, Claudio Romeo Schlosser, disse que a Petrobras está preparada para uma faixa de Brent bastante ampla e vem realizando um acompanhamento diário da situação no Oriente Médio. “Vamos monitorar cada dia, estamos monitorando o curto prazo, foto a foto.”
Schlosser disse que a Petrobras importa óleo da Arábia Saudita e tem conseguido transportar o produto pelo Mar Vermelho. A empresa também avalia realizar aquisições de outros mercados para evitar a instabilidade da região.
O diretor de processos industriais William França da Silva disse que a companhia aumentou o fator de utilização para 95% no primeiro trimestre para mitigar efeitos negativos de fornecimento de derivados ao mercado interno e manter a produtividade alta.
Em relação aos impactos da forte volatilidade da cotação do Brent nas margens da companhia, a presidente da Petrobras disse que a empresa avalia se essa premissa irá persistir e que não há resposta para isso ainda.
Schlosser disse que já ficou comprovado por gestões anteriores da Petrobras que a transferência da volatilidade para os preços não funciona e que a companhia deve manter a estratégia de evitar os repasses do atual cenário para o mercado interno e que essa estratégia já contempla a gestão financeira da companhia
CFO destaca efeito da valorização do real frente ao dólar no resultado de 2025
Na teleconferência de resultados da Petrobras realizada na manhã deste sexta-feira, o diretor financeiro (CFO) Fernando Melgarejo disse que, desta vez, o efeito do câmbio foi positivo nos resultados da companhia, refletindo a valorização do real frente ao dólar. O lucro líquido da Petrobras em 2025 chegou a R$ 110,1 bilhões (US$ 19,6 bilhões), um aumento de 200% em relação a 2024 (R$ 36,6 bilhões). Comparado a 2024, o crescimento de 200% se deve principalmente à variação cambial. Desconsiderando este e outros eventos exclusivos no período, o lucro líquido foi de R$ 100,9 bilhões (US$18,1 bilhões).
Já o ebitda ajustado, sem os eventos exclusivos, chegou a R$ 244,3 bilhões (US$ 43,8 bilhões). Além do impacto positivo da produção, o ebitda foi favorecido pela redução das despesas operacionais.
O CFO também destacou o efeito do aumento da produção para o bom desempenho da Petrobras em 2025 e a participação do pré-sal no total produzido, o que contribuiu para gerar produtos de maior valor agregado, além do aumento da eficiência operacional.
Ao iniciar a apresentação dos resultados na teleconferência de resultados da companhia para investidores e analistas realizada na manhã deste sexta-feira, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou o crescimento da produção em 2025 como estratégia para mitigar a queda do preço do petróleo Brent em 2025.
“Temos, dia a dia, produzido mais e melhor, com menos recursos”, disse a executiva.
A Petrobras alcançou 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), representando um aumento de 11% em relação à produção de 2024. A companhia entregou uma produção acima do limite superior da meta estabelecida para o ano.
A CEO também destacou a incorporação de 1,7 bilhão de barris de óleo equivalente (boe) em reservas, atingindo um índice de reposição de reservas (IRR) de 175%, mesmo diante de uma produção recorde, e o alcance do maior número de reservas provadas da companhia dos últimos 10 anos, além de recordes de exportação de barris de petróleo.
“As vendas de QAV cresceram 6% no ano e seguimos a expansão da produção do diesel S10 e de diesel com conteúdo renovável”, acrescentou.
Braskem
Em relação à venda do controle da Braskem pela Novonor à IG4, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a operação envolve uma questão societária e outras condições, como a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que ainda não foram concluídas. “Entendemos que nos próximos dias isso estará solucionado e vamos solucionar a questão em benefício de todos os envolvidos”, disse.
A gestora de ativos IG4 Capital sinalizou que pode abandonar as negociações para adquirir uma participação de controle na gigante petroquímica brasileira Braskem, já que o órgão antitruste do país atrasou a análise do acordo.
Sobre o assunto, o diretor financeiro Fernando Melgarejo reiterou que a Petrobras não irá exercer o direito de preferência e que a Petrobras tem interesse estratégico na Braskem, mas ainda não tem como se manifestar em relação à operação por conta da questão societária. “O que está valendo é o acordo de acionistas de Novonor. Vamos nos manifestar assim que houver novas definições.”
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
Copyright 2026 – Grupo CMA
