São Paulo, 6 de março de 2026 – Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta sexta-feira, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, negou rumores de que a companhia estaria avaliando explorar petróleo na Venezuela. A diretoria da empresa também mostrou perspectivas positivas em relação aos impactos do conflito do Oriente Médio para os negócios da Petrobras.
“A Venezuela é um país difícil, com reservas complicadas e há um embargo. Se esse embargo for cancelado, podemos avaliar. Mas nesse momento, não temos condições de ir para a Venezuela”, comentou.
A CEO disse que o conflito no Oriente Médio ainda é muito recente e está trazendo uma grande volatilidade, mas reiterou que a companhia está preparada para evitar um repasse imediato aos seus clientes. “Estamos olhando para isso todos os dias e avaliando em que ponto vamos atuar. Em um cenário de preços que tanto faz, é hora de ter muito cuidado para não assustar a sociedade sem necessidade”.
No caso do querosene de aviação, Magda disse que há um contrato que permite reajustes mensais. Segundo o diretor de logística da Petrobras, Claudio Romeo Schlosser, o contrato de QAV considera algumas variáveis como custos e tem um modelo que foi formatado há 20 anos e está preparado para suportar fortes variações.
Em relação às exportações, Schlosser disse que a maior parte dos embarques da Petrobras é para Ásia e Europa, portanto, não são afetadas pelo conflito no Oriente Médio.
“A gasolina também vai para África e Estados Unidos, o diesel vai para a Europa, então, realmente o Brasil tem uma posição privilegiada para petróleo e derivados”, comentou Schlosser.
Em relação ao conteúdo renovável do diesel, o diretor disse que a adoção ainda é voluntária. “Temos um contrato assinado com a Vale que inclui a oferta do diesel R renovável, estamos buscando um incremento”, disse, sem detalhar números.
O diretor de processos industriais, William França, também disse que, com a entrada das operações do Complexo Boaventura, a Petrobras deve parar de importar o petróelo árabe e da Argentina, o que deve acontecer em 2028.
Braskem
Em relação à Braskem, a presidente da Petrobras disse que, apesar da aprovação noticiada hoje, a operação de venda de parte do controle da empresa ainda precisa passar por análise do colegiado do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A superintendência-geral do órgão antitruste aprovou, sem restrições, a operação de venda para a IG4 da participação da Novonor na Braskem, segundo despacho publicado nesta sexta-feira. De acordo com parecer sobre o caso, a operação “não possui o condão de acarretar prejuízos ao ambiente concorrencial”.
“Isso não é aprovação do Cade. O parecer final é da diretoria colegiada”, comentou Magda.
Dividendos extraordinários
Os preços do petróleo Brent bateram a máxima de US$90 por barril pela primeira vez desde abril de 2024, devido ao conflito no Irã, após ataques dos EUA e de Israel.
O diretor financeiro Fernando Melgarejo disse que a Petrobras poderá distribuir dividendos extraordinários caso registre um alto nível de fluxo de caixa após a forte alta dos preços do petróleo. “Para isso, é necessário ter uma geração de caixa muito superior ao necessário para fazer investimentos e pagar as dívidas. O conflito é muito recente, então, ainda não há nenhuma perspectiva de fazer uma distribuição extraordinária de dividendos em 2026.
Em um cenário de volatilidade no mercado de petróleo, o executivo também disse que a companhia vai priorizar a disciplina de capital e o aumento da produtividade, com foco no cumprimento dos investimentos previstos no plano de negócios.
Mais cedo, na teleconferência com o mercado, o CFO disse que se a Petrobras entender que tem um nível elevado de caixa, poderia fazer uma distribuição de dividendos extraordinários, desde que tenha certeza que não há impacto na financiabilidade dos projetos.
Etanol e distribuição de combustíveis
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que os ativos da Raízen incluem etanol e distribuição de combustíveis. “Como a Petrobras tem um acordo de ‘non-compete’ com a Vibra até 2029, que a impede de atuar no setor de distribuição, o que inviabiliza negócios com a empresa”, disse Magda.
No entanto, a CEO disse que plano de negócios, a Petrobras afirma que pode voltar ao setor de distribuição a partir de 2030.
“Num passado recente, o mercado acreditou que tirar a Petrobras da distribuição reduziria preços. Mas não foi isso que aconteceu. Mas, a sociedade acreditou nisso, então, não há nada que a gente possa fazer”, disse, ao comentar a atual volatilidade de preços nos postos de combustíveis do País. “Hoje em dia, a Petrobras não chega no fim da linha, portanto, não contribui para o preço final ao consumidor. O consumidor está pagando o preço de uma decisão política e hoje a Petrobras está entregando preços menores que no passado”, concluiu.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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