O presidente dos EUA, Donald Trump, escolheu o ex-governador do Federal Reserve Kevin Warsh para comandar o banco central dos EUA quando o mandato de Jerome Powell terminar em maio. A nomeação, que precisa ser confirmada pelo Senado, dá a um crítico frequente do Fed a chance de implementar suas ideias de “mudança de regime” na política monetária. Isso acontece em um momento em que Trump busca maior controle sobre a instituição. A indicação ocorre após meses de especulação pública, com vários candidatos promovendo suas visões sobre economia e política monetária.
A escolha deve enfrentar um processo difícil de confirmação, em meio às tentativas crescentes de Trump de testar a independência do Fed, incluindo uma investigação criminal contra Powell, vista pelo próprio como pressão política. Warsh defende cortes agressivos de juros, redução do balanço do Fed e flexibilização da regulação bancária. Além disso, ele critica o banco central por subestimar os efeitos da produtividade impulsionada pela inteligência artificial sobre a inflação. A decisão também levanta dúvidas sobre a independência do novo presidente do Fed em relação ao governo.
Ex-governador do Fed entre 2006 e 2011, Warsh foi um importante elo com Wall Street durante a crise financeira de 2007-2009 e tem forte histórico no mercado financeiro. Ainda não está claro como sua nomeação afetará a trajetória dos juros no curto prazo, especialmente após três cortes em 2025 e a recente sinalização de pausa. Analistas destacam que ele estará sob intenso escrutínio para provar autonomia política. Enquanto isso, ele defende uma redução do balanço do Fed como forma de impulsionar a economia real por meio de taxas mais baixas.