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FMI reduz projeção de crescimento global, mas retira cenário de recessão ligado à guerra com Irã

São Paulo, 8 de julho de 2026 – O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu ligeiramente sua projeção para o crescimento da economia global em 2026, mas deixou de considerar o risco de uma recessão mundial provocada por um prolongamento da guerra entre Estados Unidos e Irã, segundo atualização de suas projeções trimestrais divulgada nesta quarta-feira. A expectativa do fundo é de um crescimento de 3%, contra 3,1% projetado no boletim anterior, divulgado em abril.

Há três meses, o FMI avaliava que um conflito prolongado poderia levar a economia global à recessão. No entanto, segundo o organismo, o cessar-fogo firmado em junho praticamente eliminou esse risco, limitando os impactos da guerra a um crescimento um pouco mais fraco, mas sem danos estruturais relevantes para a economia mundial.

A atualização ocorre no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo “acabou”, após novos ataques iranianos a embarcações no Estreito de Ormuz e bombardeios de retaliação dos Estados Unidos contra o Irã. Apesar disso, Trump não afirmou que Washington retomará a guerra.

Na projeção de abril, o FMI havia apresentado três cenários para os impactos econômicos do conflito, incluindo a possibilidade de uma recessão global caso a guerra se estendesse até 2027. Esses cenários deixaram de constar na atualização de julho.

Segundo Petya Koeva Brooks, diretora-adjunta do Departamento de Pesquisa do FMI, ainda existem incertezas e riscos de baixa para a economia mundial, mas a instituição observou uma capacidade maior de adaptação dos mercados.

O FMI passou a projetar crescimento global de 3,0% em 2026, abaixo dos 3,1% estimados em abril. Para 2027, a previsão foi elevada de 3,2% para 3,4%, impulsionada principalmente pelos investimentos em inteligência artificial.

Para os Estados Unidos, o Fundo manteve a projeção de expansão de 2,3% em 2026 e elevou a estimativa para 2027 de 2,1% para 2,2%. Segundo o relatório, a economia norte-americana deverá ser beneficiada pelos investimentos em inteligência artificial, pelo fato de exportar mais petróleo do que importa e pelo elevado crescimento dos gastos públicos.

Já a zona do euro teve sua projeção de crescimento para 2026 reduzida de 1,1% para 0,9%, refletindo o impacto dos preços mais elevados da energia e da confiança mais fraca dos consumidores.

O FMI avalia que, apesar da trégua ter reduzido a pressão sobre os custos de energia, os preços do petróleo deverão permanecer, em média, cerca de 32% acima dos níveis de 2025 ao longo deste ano. Segundo o Fundo, isso continuará prejudicando economias importadoras de energia, como os países europeus e a Índia, enquanto produtores líquidos de petróleo tendem a ser beneficiados.

Para a China, o FMI revisou a sua projeção de 4,4% em abril para 4,6%. A alta do PIB dos países emergentes passou de 3,9% para 3,8%.

As informações são da agência Dow Jones.

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