São Paulo, 3 de agosto de 2026 – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne na terça e na quarta para definir o futuro da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para os próximos 45 dias. A decisão será anunciada no final da quarta, a partir das 18h30.
A maioria do mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
As instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus, divulgada na segunda, estão indicando Selic a 13,75% no final do ano. Com base em indicadores recentes apontando inflação abaixo do esperado e economia apresentando desaceleração, o Focus revisou nesta semana a expectativa para Selic, que era de 14%.
O dashboard de opções do Copom, da B3, apontava, na segunda, 3, 93,5% de chances de corte de 0,25 ponto. A manutenção do juro tem 6,50%. Os recentes dados divulgados pelo governo aumentaram a aposta de um corte. Mais que isso, o mercado está mais otimista em relação a um possível outro corte de 0,25 ponto, além do projetado para a quarta.
A Ativa Investimentos destaca a mudança na projeção do Focus para a Selic. “Em nossa análise, essa mudança reflete uma reação direta à melhor conjuntura inflacionária, que passa pelas surpresas baixistas do índice e perspectivas mais brandas para o preço do petróleo. Com a data crítica do ranking top 5 do BC na última sexta-feira, os agentes corrigiram a suas perspectivas, o que fez a mediana recuar”.
Sobre a inflação, a projeção para 2026 recuou de 5,12% para 5,03%, uma vez que o IPCA-15 da última semana surpreendeu fortemente para baixo. Para 2027, a projeção ficou estável em 4,22%, enquanto as estimativas de 2028 continuaram em 3,80% e as de 2029 permaneceram inalteradas em 3,50%.
“Para as projeções condicionais do BC para o IPCA, a Ativa prevê uma boa acomodação na perspectiva de 2026, com reflexos sobre 2027. Desde o Copom anterior, a curva de inflação do BC para 26, 27 e 28 era 5,2%, 3,7% e 3,1%, respectivamente. “Para essa reunião estimamos que a autoridade irá apontar para projeções mais brandas, 4,8%, 3,5% e 3,1%. Especificamente 2027, grande parte do horizonte relevante, a inércia de 26 e a curva de petróleo mais acomodatícia fazem com que haja a queda de 20bps”.
Vale pontuar que nessa reunião a horizonte relevante irá rolar do 4T27 para 1T28, o que faz com que o desvio da inflação para meta recue para algo ao redor de 40bps, ante 70bps da reunião anterior, com a inclusão do baixista IPCA de 2028. Essa perspectiva mais acomodatícia, ainda que aritmeticamente gerado pela rolagem do horizonte, gera conforto para o BC seguir afrouxando o juro na nossa perspectiva, ainda mais com uma curva de petróleo que já é bem mais branda hoje do que era sexta-feira.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, destaca que o Focus desta segunda-feira trouxe uma revisão importante nas expectativas para a economia brasileira. A projeção de inflação para 2026 caiu de 5,12% para 5,03%, enquanto a estimativa para a Selic no fim do próximo ano recuou de 14,00% para 13,75%. A combinação reforça a percepção de que o processo de desinflação continua em andamento e abre espaço para uma política monetária menos restritiva.
O dado mais relevante não é apenas a queda do IPCA. É a confirmação de que o mercado começa a enxergar um ambiente em que a inflação desacelera sem exigir juros elevados por tanto tempo. Quando a expectativa de inflação cai e a expectativa de juros acompanha esse movimento, o custo do dinheiro começa a mudar antes mesmo da decisão do Banco Central.
O Focus também chega na semana mais importante do mês para a política monetária. Com o Copom se reunindo na quarta-feira, a revisão da Selic fortalece a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual, acompanhado de um discurso ainda cauteloso diante do cenário fiscal e eleitoral.
O BTG manteve a expectativa de dois cortes de 25 pontos-base nas próximas reuniões, levando a taxa Selic para 13,75% ao fim de 2026. “A função de reação observada na última decisão e a comunicação recente do Banco Central permanecem consistentes com esse cenário”, disse, em relatório.
Segundo o BTG, a inflação corrente mais benigna e os primeiros sinais de moderação da atividade e do mercado de trabalho abrem espaço para a continuidade do ciclo de calibração. As projeções replicadas do Banco Central situam-se entre 3,1% e 3,2% no horizonte relevante.
O Itaú espera um corte de 25 p.b. na reunião de agosto, levando a taxa Selic para 14,00%. “A decisão deve ser unânime e refletir a avaliação de que o cenário base evoluiu de forma marginalmente mais benigna no âmbito doméstico, com moderação da atividade e recuo da inflação corrente, embora o cenário externo permaneça incerto e as expectativas de prazo mais longo tenham se deteriorado”, explica.
Segundo o Itaú, no cenário com trajetória de juros extraída da pesquisa Focus, estimamos que a projeção do modelo do BC para o horizonte relevante (1T28) fique em torno de 3,2%.
Na avaliação do banco, o comitê deve manter a porta aberta, sinalizando dependência de dados e ausência de forward guidance explícito. A comunicação deve enfatizar serenidade e cautela diante do cenário de incerteza, desancoragem e riscos elevados, indicando manutenção de restrição monetária adequada para convergência da inflação à meta.
Na avaliação da Warren Investimentos, a decisão ideal seria a manutenção da taxa Selic em 14,25%. “No entanto, a comunicação recente indica que a decisão mais provável é um corte de 25 pontos-base, para 14,00%”.
Nas reuniões anteriores do Copom, grande parte do debate concentrou-se no cenário externo, com o conflito no Oriente Médio, sua duração e seu impacto no preço do petróleo, enquanto, no campo doméstico, discutíamos a deterioração do cenário inflacionário e a atividade econômica, que se mostrava resiliente e dava sinais de inflexão.
“Acreditamos que a política monetária geraria mais ruídos ao buscar novamente argumentos para justificar uma suavização dos efeitos do choque de oferta. Os agentes econômicos e os mercados se beneficiariam de uma comunicação que reforce o compromisso do Banco Central em buscar o centro da meta no horizonte relevante de política monetária. Por esses motivos, acreditamos que decisão ideal seria a manutenção da taxa Selic em 14,25%. No entanto, a comunicação recente indica que a decisão mais provável é um corte de 25 pontos-base, para 14,00%”, conclui.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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