Porto Alegre, 15 de junho de 2026 – Para a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na sigla em inglês), nesta quarta-feira (17), o mercado acredita que não deve haver alteração na política monetária. Assim, os juros devem permanecer na faixa entre 3,5% e 3,75%. O Comitê se reúne entre terça e quarta e a decisão será divulgada às 15h da quarta.
Às 15h30, o novo presidente da instituição, Kevin Warsh, concede a primeiro coletiva no cargo. Para este encontro, as atenções do mercado se voltam para o teor do comunicado que será divulgado junto à decisão e, principalmente, para a fala de Warsh. O ponto principal para o mercado é a avaliação do Comitê sobre os impactos do conflito no Oriente Médio sobre a inflação americana e, claro, as sinalizações sobre os próximos passos para a política monetária da principal economia do mundo. O Fed divulgará também novas projeções para a economia americana.
Na segunda-feira, 15 de junho, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 98,6% de chance de manutenção do juro no encontro da quarta-feira. Para o encontro de julho, este percentual cai para 92,4% e surge aposta de elevação em 0,25 ponto percentual para 6,3%. Para setembro, 73,3% apostam na manutenção e 24,3% indicam elevação. Para outubro, os percentuais passam a ser de 65,3% e 29,8%. Para dezembro, a chance de manutenção emparelha com a de elevação do juro: 45,9% a 40,4%.
Segundo a casa de análises ING, a melhora do ritmo da atividade econômica e a inflação elevada sugerem que o Federal Reserve reconhecerá a possibilidade de uma futura alta de juros por meio de novas projeções. “No entanto, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, não é adepto do forward guidance e provavelmente evitará assumir compromissos explícitos em sua primeira coletiva de imprensa”, acrescenta. “Dificilmente o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, votará por um corte de juros, apesar das exigências de Trump por taxas mais baixas”, completa.
A ING destaca que, mesmo com um acordo no Oriente Médio, os preços globais de energia provavelmente permanecerão elevados pelo menos até o início de 2027. “A recomposição de estoques na Europa e na Ásia manterá uma forte demanda nos mercados ao longo do segundo semestre deste ano”.
Em relação à reunião do FOMC de quarta-feira, “esperamos que o Fed mantenha a política monetária inalterada, mas também esperamos um comunicado que dê maior ênfase à possibilidade de uma elevação dos juros”.
Para o Bank of America (BofA), o Fed deve permanecer firmemente em pausa: sem viés de afrouxamento monetário e com o gráfico de projeções (dot plot) indicando juros estáveis em 2026. Kevin Warsh provavelmente minimizará as preocupações com a inflação. “Esperamos que o FOMC mantenha a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% em junho e remova o viés de afrouxamento do comunicado. Não antecipamos votos dissidentes”.
Em relação às projeções, os economistas do BofA acreditam que a inflação deverá vir mais alta, a taxa de desemprego mais baixa e não haverá indicação de redução de juros neste ano. “Alguns dirigentes provavelmente passarão a projetar altas de juros. Não acreditamos que Kevin Warsh apresentará projeções próprias. Esperamos que ele adote um tom relativamente dovish na coletiva de imprensa”.
O Goldman Sachs Research agora espera que o Federal Reserve realize cortes de juros apenas em junho e dezembro de 2027, em comparação com a previsão anterior de cortes em dezembro de 2026 e março de 2027. A equipe projeta que a taxa de desemprego dos EUA, que estava em 4,3% em maio, subirá apenas ligeiramente para 4,4% até o fim deste ano. “Nossos economistas esperam que a inflação recue para perto de 2% em 2027, desde que não ocorram novos choques de oferta”.
“A atividade econômica e os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos foram mais fortes do que antecipávamos nos últimos meses, com a geração de empregos, em particular, apresentando uma melhora impressionante”, escreveu David Mericle, economista-chefe para os EUA, em relatório.
Mericle afirma que altas de juros são improváveis, embora um pouco mais prováveis do que anteriormente. Historicamente, o Fed não costuma elevar juros em resposta a choques do petróleo que pareçam incapazes de gerar uma inflação persistentemente elevada.
Além disso, os economistas do Goldman ainda não observaram sinais de que o choque inflacionário provocado pela guerra esteja se espalhando pela economia. O indicador composto do banco para medir o risco de inflação persistente continua em nível baixo, embora o aumento das expectativas de inflação de longo prazo da Universidade de Michigan tenha elevado ligeiramente esse indicador.
Ainda assim, a comunicação do Fed tornou-se mais hawkish nas últimas semanas, com muitos integrantes do FOMC afirmando que aumentos de juros são possíveis caso a inflação piore. A resiliência da atividade econômica e do mercado de trabalho também reduz a barreira para uma alta de juros.
“Caso o Federal Reserve opte por um controle considerando a duração do choque inflacionário de dois trimestres, deverá realizar pelo menos três aumentos de juros ao longo do segundo semestre, sem necessariamente ter certeza se conseguirá acomodar a inflação dentro do horizonte de 18 meses”, avalia Roberto Simioni, economista Chefe da Blue3 Investimentos. “Caso opte por uma leitura de choque prolongado (>3 trimestres), pode vir a realizar pelo menos dois aumentos de juros mais robustos, entre 0,50% e 0,75%, para contê-la no período, deixando para segundo plano os impactos sobre a atividade e o risco de maior inadimplência por parte da população de mais baixa renda, que perde capacidade de consumo e sofre com um alto nível de endividamento”, completa.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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