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Livro Bege aponta crescimento moderado da economia dos EUA, estabilidade no emprego e pressões inflacionárias persistentes

Porto Alegre, 14 de outubro de 2026 – A atividade econômica dos Estados Unidos apresentou crescimento desigual, com expansão mais consistente na indústria, estabilidade no mercado de trabalho e persistência das pressões inflacionárias. As informações constam da edição do Livro Bege divulgada nesta quarta-feira pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

Segundo o relatório, dois dos 12 distritos do Fed registraram crescimento moderado da atividade econômica, três apresentaram expansão modesta, quatro relataram crescimento leve e outros três não observaram alterações significativas.

O consumo permaneceu praticamente estável na maior parte do país, com vendas de automóveis estáveis ou em queda moderada. Mais da metade dos distritos destacou que os gastos continuam sendo sustentados principalmente pelas famílias de renda mais elevada, enquanto consumidores de menor renda demonstram maior cautela.

MERCADO DE TRABALHO

As condições gerais do mercado de trabalho permaneceram praticamente inalteradas. Três distritos relataram aumentos modestos no emprego, cinco registraram crescimento leve e quatro não observaram mudanças significativas.

A oferta de trabalhadores foi considerada suficiente para atender à demanda, embora persistam dificuldades na contratação de profissionais especializados e técnicos.

O relatório destacou que algumas empresas reduziram seus quadros por meio da não reposição de funcionários, adiaram contratações ou passaram a prever menor geração de empregos após ganhos de produtividade decorrentes de investimentos em inteligência artificial (IA).

Os salários continuaram subindo, com aumentos predominantemente modestos a moderados. A inflação intensificou as reivindicações por reajustes para compensar o custo de vida, enquanto as empresas enfrentam despesas mais elevadas com benefícios.

INFLAÇÃO E PREÇOS

As pressões inflacionárias permaneceram disseminadas pela economia norte-americana. Três distritos classificaram o crescimento dos preços como robusto, oito relataram aumentos moderados e apenas um registrou elevação modesta. Quatro regiões observaram aceleração dos preços em relação ao levantamento anterior.

A alta do petróleo foi mencionada em todo o país, com os custos elevados do diesel e a aplicação de sobretaxas sobre combustíveis pressionando as cadeias de abastecimento. As empresas também destacaram aumentos nos preços de outras commodities, tarifas comerciais e seguros.

As companhias voltadas ao consumidor final relataram margens de lucro mais apertadas, diante da resistência dos clientes a novos reajustes. Para preservar a rentabilidade, estão adotando aumentos seletivos de preços, incentivos comerciais direcionados e mudanças em produtos e serviços para reduzir custos.

O relatório também apontou expectativas de novas altas de preços nos próximos meses, à medida que contratos existentes vençam e as empresas precisem renegociar custos de insumos, operações de proteção financeira e acordos de fornecimento.

O conjunto das informações indica que a economia norte-americana continua crescendo de maneira limitada e desigual, enquanto a estabilidade do emprego contrasta com pressões persistentes sobre os preços, fator relevante para as próximas decisões de política monetária do Fed.

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