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RADAR DO DIA: Ata do Fed, trade eleitoral e dados de inflação no Brasil centram atenções

Porto Alegre, 7 de outubro de 2026 – Em um dia de maior aversão ao risco, em meio à nova escalada nos preços do petróleo com o retorno das tensões no Oriente Médio, as atenções do mercado internacional ao longo desta quarta-feira deverão estar centradas na ata da reunião de setembro do Federal Reserve. Esta poderá sinalizar uma perspectiva quanto a um aumento, ou não, da taxa de juros dos Estados Unidos no mês de outubro, muito embora a expectativa seja pela manutenção das taxas.

O petróleo voltou a subir meio à intensificação dos ataques do Irã a navios-tanque no Estreito de Ormuz. As tensões geopolíticas permaneciam elevadas após os Houthis, alinhados ao Irã, atacarem o aeroporto internacional de Aden com mísseis balísticos e drones. Os

combates se intensificaram nas proximidades do Estreito de Bab el-Mandeb, importante rota de navegação para o transporte de energia, aumentando as preocupações com possíveis interrupções no comércio.

Internamente, as atenções seguem voltadas ao cenário eleitoral, ainda repercutindo a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais no último domingo (4), superando Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado animou o mercado financeiro em meio à expectativa de um ajuste nas contas públicas, contribuindo para uma valorização do real frente ao dólar nas últimas duas sessões.

O mercado tende a repercutir também, ao longo do dia, o resultado do Indice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) divulgado há pouco pela Fundação Getúlio Vargas. O índice subiu 1,50% em setembro. No mês de agosto, a taxa havia sido de 0,06%. Com este resultado, o

índice acumula alta de 3,72% no ano e de 3,80% em 12 meses. Em setembro de 2025, o IGP-DI havia subido 0,36% e acumulava alta de 2,31% em 12 meses.

De acordo com o economista do FGV IBRE, Matheus Dias, a aceleração do IGP-DI em setembro foi impulsionada principalmente pelos avanços dos preços ao produtor e ao consumidor. No IPA, destacou-se a alta das commodities agrícolas, com elevações expressivas da soja, do farelo de soja e do milho, além do reajuste da gasolina automotiva.

No IPC, Matheus sinaliza que a pressão partiu sobretudo da habitação, refletindo o aumento da tarifa de eletricidade residencial após o fim dos efeitos de descontos concedidos por conta do Bônus de Itaipu, e dos alimentos in natura, com destaque para as altas do tomate e da batata-inglesa. “Em sentido oposto, a desaceleração do INCC foi favorecida pelo arrefecimento dos custos de mão de obra na construção”, afirma.

Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)

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