São Paulo, 23 de julho de 2026 – O mercado financeiro global está tendo um dia nervoso, com bolsas recuando, petróleo e juros subindo. As tensões no Oriente Médio, a avaliação dos resultados da Alphabet e da Tesla e a expectativa em torno da decisão sobre a política monetária na Eurozona seguem no radar do mercado. Com o Brent se aproximando de US$ 100 em Londres, as preocupações inflacionárias globais ganham força.
No campo doméstico, com a agenda esvaziada, a tendência é que os ativos sigam o comportamento externo. O cenário político conturbado e as reações ao tarifaço imposto pelo governo Trump a produtos brasileiros merecem a atenção. Ontem, o dia foi positivo, com Ibovespa subindo e dólar recuando. O diferencial de juros e a alta do petróleo indicam fluxo de recursos estrangeiros no país, o que favorece câmbio e ações, principalmente das blue chips – Vale e Petrobras.
O tráfego pelo Estreito de Ormuz continua muito abaixo dos níveis observados em junho. Dados da consultoria Kpler, segundo informação da agência Dow Jones, mostram que parte dos navios passou a evitar o Mar Vermelho após o anúncio de um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita pelos houthis. O aumento do tempo de transporte, dos custos de frete e os riscos para a oferta global de petróleo permanecem entre as principais preocupações do mercado.
O Banco Central Europeu (BCE) deve manter inalteradas as taxas de juros na reunião desta quinta-feira, embora analistas avaliem que a autoridade monetária poderá reforçar um tom mais duro em relação à inflação e sinalizar a possibilidade de novos aumentos até o fim do ano..
Segundo a ferramenta ECB Watch, baseada nos contratos futuros de taxas de curto prazo da zona do euro, o mercado atribui 92% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 2,25% e apenas 8% de chance de uma elevação de 0,25 ponto percentual.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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