São Paulo, 20 de agosto de 2026 – A tensão no Oriente Médio voltou ao foco e trouxe maior aversão ao risco no mercado financeiro global, resultado em alta do petróleo e instabilidade nas bolsas. Internamente, a agenda vazia deve fazer com que os ativos acompanhem a sinalização externa.
Outro ponto que merece atenção é o comportamento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, que avançam nesta quinta-feira, com queda dos rendimentos, após o governo norte-americano anunciar que ampliará as recompras de papéis de prazo mais longo. O anúncio do Tesouro ocorreu após os rendimentos dos títulos de 30 anos atingirem máximas de vários anos no início da semana. Investidores interpretaram a medida como uma sinalização de que o governo está disposto a dar suporte ao mercado de dívida.
No mercado de petróleo, os preços caminhavam para a quinta sessão consecutiva de alta após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma grande ofensiva econômica contra o Irã, incluindo medidas contra empresas ligadas à economia iraniana.
“Lá fora, maior programa de recompras de títulos do governo americano deu suporte na última sessão aos demais ativos de risco no mundo, em especial gerando um movimento de dólar fraco, ouro em alta, forte alta das cryptos”, aponta o boletim matinal da Ajax Asset. “Hoje, os ativos tem leve realização na margem. Por aqui, mercados deverão acompanhar humor internacional”, projeta.
No Brasil, sem novidades em termos de indicadores, o mercado acompanha o cenário eleitoral e seus impactos sobre o fiscal, em um período também sem novas informações.
O boletim da Ajax destaca matéria veiculada no Valor Econômico, indicando que o governo irá prever um aumento de 7,7% nas despesas obrigatórias com benefícios previdenciários em 2027, de acordo com estimativa que constará no PLOA do próximo ano, que será encaminhado ao Congresso no próximo dia 31. Já a despesa total passará de R$ 1,135 trilhão projetado para este ano, de acordo com o último relatório bimestral, para R$ 1,223 trilhão em 2027. “Conforme temos abordado, segue em deterioração as contas públicas, o que pode pressionar prêmio de risco país para cima, impactando negativamente custo de financiamento do Governo e das empresas domésticas”, alerta a corretora.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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