Porto Alegre, 5 de novembro de 2026 – O mercado financeiro brasileiro deve avaliar hoje a decisão de ontem do Comitê de Política Monetária Copom. Diante das incertezas instaladas com a reeleição do presidente Lula, o Copom decidiu manter a Selic em 13,75% ao ano e ganhar tempo para decidir sobre os próximos passos.
No exterior, as bolsas têm comportamento misto, assim como o petróleo. Dólar e treasuries recuam. As ações do setor de IA cedem, com os analistas ainda assimilando o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e a ampla vitória democrata.
Dois pontos se destacaram como consequência do resultado eleitoral nos Estados Unidos: a possibilidade de redução nos investimentos em empresas de inteligência artificial e a possibilidade de acordo no conflito no Oriente Médio, o que vem causando a recente queda no barril do petróleo.
Em relação ao Copom, as primeiras avaliações dos economistas convergem na leitura de que a piora da inflação e das expectativas justificou a manutenção da Selic, mas divergem sobre a duração da pausa e a possibilidade de retomada dos cortes em 2027.
O Santander prevê a Selic estável até o início de 2027. O Itaú destacou que, ao classificar a Selic como substancialmente contracionista, o Copom elevou bastante a barra para novas altas dos juros. A sinalização é que, no cenário que o próprio Copom projeta, ele não pretende voltar a subir os juros. O banco espera estabilidade nas próximas reuniões.
Também o Bradesco prevê a Selic em 13,75% até dezembro, mas vê espaço para a taxa recuar ao intervalo de 12,5% a 13% em 2027, dependendo do câmbio, da atividade e da inflação.
Destaque ainda hoje para a divulgação da produção industrial mensal brasileira. O mercado aposta em recuo mensal de 0,2% e anual de 1,7%. No exterior, atenções voltadas para a decisão sobre a política monetária no Reino Unido, às 9h. A aposta de economistas é de uma elevação de 0,25 ponto no juro básico.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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