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RADAR DO DIA: Tensão no Oriente Médio; mercado espera resultados das big techs e foco no tarifaço

São Paulo, 22 de julho de 2026 – O mercado financeiro global tem uma quarta de maior aversão ao risco. O petróleo dispara com as renovadas tensões no Oriente Médio e a preocupação crescente com o tráfego na região. As bolsas procuram direcionamento e esperam resultados das big techs. No Brasil, promessa de um dia mais cauteloso, acompanhando ainda as negociações em torno do tarifaço imposto pelo governo Trump.

A crescente preocupação do mercado com possíveis interrupções no abastecimento de petróleo do Oriente Médio em razão da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã impulsiona os contratos do petróleo. O avanço ocorreu após os Estados Unidos realizarem a 11ª noite consecutiva de ataques contra alvos iranianos. A nova ofensiva foi lançada pouco depois de o Exército do Kuwait informar que seus sistemas de defesa aérea interceptavam drones iranianos.

Além das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, o mercado passou a monitorar uma nova ameaça ao transporte marítimo de petróleo. Os houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita e ameaçaram atacar embarcações que transportem petróleo saudita pelo estreito de Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho.

Os mercados também acompanharam atentamente os desdobramentos da política monetária japonesa, após fontes ouvidas pela Reuters afirmarem que o Banco do Japão (BoJ) está atento aos riscos de aceleração da inflação, o que pode resultar em um ritmo mais rápido de elevação dos juros do que o atualmente precificado pelos mercados.

Os contratos futuros dos principais índices de ações de Wall Street operavam em queda nesta quarta-feira, pressionados pela fraqueza das empresas de semicondutores, enquanto os investidores adotavam uma postura cautelosa antes da divulgação dos primeiros balanços das gigantes de tecnologia, que deverão indicar se o rali impulsionado pela inteligência artificial ainda tem espaço para continuar.

O foco do mercado está nos resultados da Alphabet e da Tesla, as primeiras integrantes do grupo das chamadas “Magnificent Seven” a divulgar seus números do segundo trimestre, previstos para após o fechamento do pregão.

Empresários dos setores afetados pelo novo tarifaço dos Estados Unidos avisaram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que farão oposição à retaliação caso o Brasil decida acionar a Lei de Reciprocidade.

Acontece que o rito da Lei de Reciprocidade prevê realização de consulta pública, voltada às partes interessadas, por 30 dias antes de retaliar. Neste momento, empresas de setores envolvidos prometem se posicionar contra a retaliação.

O setor produtivo tenta demover o governo da ideia de acionar a reciprocidade, indicando o impacto reputacional que as críticas das empresas afetadas gerariam ao processo. Os executivos argumentaram ao governo que a reciprocidade irá levar a uma escalada de tensões com os EUA e pode gerar mais sanções à economia brasileira.

A Vale entregou um sólido desempenho operacional no segundo trimestre, com aumento da produção e das vendas em todos os segmentos de negócios em relação ao mesmo período do ano passado. No Minério de Ferro, a melhora do desempenho em diversas operações contribuiu para o melhor resultado de produção para um segundo trimestre desde 2018. Em Cobre e Níquel, a produção aumentou significativamente, com o cobre registrando sua melhor produção para um segundo trimestre desde 2017 e o níquel alcançando seu melhor resultado para um segundo trimestre desde 2020.

A produção de minério de ferro totalizou 84,3 milhões de toneladas, alta de 1% a/a, suportada pelo recorde de produção em S11D e pelos volumes adicionais dos projetos Capanema e VGR1. A produção de pelotas totalizou 7,3 Mt, 7% (0,5 Mt) menor a/a, em linha com a suspensão temporária das operações das plantas de Omã durante parte do trimestre. As vendas de minério de ferro atingiram 79,7 Mt, 3% (2,4 Mt) maior a/a, refletindo a venda de estoques e o aumento da produção.

A produção de cobre totalizou 98,4 milhões de toneladas alta de 6%, impulsionada principalmente pelo forte desempenho dos ativos brasileiros, com produção recorde para um segundo trimestre em Salobo, assim como maior produção em Sossego e Voiseys Bay.

A produção de níquel totalizou 42,0 milhões de toneladas, alta de 4%, impulsionada pela maior produção de Onça Puma e produção recorde em Long Harbour, compensando o impacto da manutenção bienal programada das instalações downstream de Sudbury.

Dylan Della Pasqua / Agência Safras

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