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Brasil vai usar instrumento de reciprocidade junto aos EUA quando for necessário

Porto Alegre, 22 de julho de 2026 – O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Márcio Elias Rosa, destacou há pouco que o Brasil vai usar o instrumento de reciprocidade junto aos Estados Unidos quando for necessário. Hoje (22) começa a valer oficialmente a tarifa de 25% imposta pelos norte-americanos para as exportações de produtos brasileiros.

Rosa enfatizou que o instrumento da reciprocidade está à disposição do Brasil, mas que antes de usá-lo, o país precisa dimensionar que medidas poderão vir a ser adotadas, avaliando se não vão trazer um efeito ainda pior do que o cenário que se desenha aos exportadores a partir de agora.

O ministro disse que houve um empenho muito grande do governo junto aos Estados Unidos para que as medidas tarifárias não fossem adotadas, mas quando o outro lado não se conecta com a realidade fica difícil negociar. “As medidas impostas pelos Estados Unidos têm um caráter mais de sanção do que de regulação de mercado”, avalia.

Perguntado sobre as razões pelas quais os Estados Unidos estão aplicando tarifas junto ao Brasil, o ministro comentou que as medidas impostas levam em conta a necessidade do país se impor em toda a América do Sul. “Os Estados Unidos querem reintroduzir sua indústria e por isso eles estão adotando medidas tarifárias não somente ao Brasil, mas junto a outros países também”, acrescenta.

Rosa salientou que a partir da série de tarifas impostas, a participação dos Estados Unidos no Brasil já caiu 13%. “Como alternativa aos Estados Unidos, o Brasil está acessando novos mercados”, disse.

Ele detalhou, por outro lado, que o Brasil fortaleceu ainda mais as parcerias comerciais com a China após as medidas impostas pelos Estados Unidos. “Há mercados para o Brasil buscar como alternativa ao EUA, mas não é fácil”, admite.

Rosa enfatizou ainda que, na sexta-feira (24), os Estados Unidos poderão ainda anunciar uma tarifa adicional de 12,5% ao Brasil, diante da justificativa de que os produtos produzidos no país e que são exportados aos Estados Unidos utilizam trabalho forçado.

Apesar das dificuldades existentes na atual relação comercial com o governo de Donald Trump, Rosa salientou que é preciso continuar as negociações com os Estados Unidos. “Há uma sinergia muito grande para isso entre todos os setores da economia afetados pelas medidas e o governo federal”, conclui.

Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)

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