Porto Alegre, 25 de setembro de 2026 – O petróleo voltou a operar em queda nesta sexta-feira, em meio às expectativas de uma trégua no conflito entre Estados Unidos e Irã por conta de novos ataques houthis a Arábia Saudita. Ainda assim, as preocupações com os efeitos da nova escalada do petróleo sobre a economia global, com a necessidade de aumento nas taxas de juros por parte dos países segue como um ponto de atenção.
Além dos Estados Unidos, preocupações a respeito dos efeitos da guerra causam temor também na Europa. Segundo Isabel Schnabel, do Banco Central Europeu, os efeitos da guerra estão se mostrando mais persistentes que o esperado e já atingem, além do petróleo, diesel e gás. Já Clare Lombardelli, do BoE, manifestou preocupação, dizendo que, quanto mais prolongado o choque de energia, maior o risco de efeitos secundários sobre a inflação e a necessidade de responder
com alta dos juros.
Ainda em âmbito externo, o encontro entre Xi Jinping e Donald Trump segue nos holofotes. Ontem os presidentes de China e Estados Unidos conversaram sobre a guerra no Oriente Médio, mas sem apresentar maiores detalhes. Mais tarde, durante jantar de gala, Xi afirmou que os dois países alcançaram amplo acordo sobre diversas questões e disse que a relação bilateral atingiu um novo marco histórico, também sem anunciar medidas concretas.
Segundo a agência Xinhua, Xi defendeu a retomada das negociações entre Washington e Teerã e pediu prudência na questão de Taiwan. IA, segurança e comércio também estiveram na pauta, após a trégua comercial entre os dois países ter sido novamente prorrogada (até 10/1).
No cenário doméstico, as atenções estão voltadas para a divulgação do IPCA-15 por parte do IBGE, que pode contribuir para a expectativa de um novo corte na taxa Selic no Brasil. A expectativa do mercado é de que o índice possa avançar 0,53%. O cenário eleitoral, e as questões econômicas e fiscais também seguem no radar do mercado.
O Relatório de Política Monetária divulgado ontem pelo Banco Central sinalizou que ainda há espaço para um ciclo de afrouxamento da taxa de juros, embora esta esteja condicionada à evolução dos dados. Na entrevista para avaliar os resultados do RPM, Gabriel Galípolo disse que o BC segue dependente dos dados e que a precificação dos cortes da Selic vem mudando gradualmente, à medida que os indicadores apontam desaceleração da economia.
Segundo a BDM Online, Galípolo afirmou que o Banco Central prepara medidas para limitar a oferta predatória de crédito, especialmente de linhas mais caras oferecidas a consumidores que poderiam ter acesso a modalidades mais adequadas.
No âmbito fiscal, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, divulgado ontem, trouxe pela primeira vez no ano projeção de superávit das estatais federais em 2026, de R$ 2 bilhões. No relatório anterior, a estimativa era de déficit de R$ 95 milhões.
No campo político, na reta final de campanha para a votação do primeiro turno das eleições, no próximo domingo (4/10), tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro buscam intensificar estratégias para ampliar votos. Enquanto o candidato da direita busca apoiadores de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, Lula deve assinar medidas voltadas a reduzir o endividamento das famílias.
Lula deve assinar em São Paulo uma MP proibindo apostas esportivas online e cassinos digitais no País. Ele também deve anunciar nesta sexta-feira um novo programa para limpar o nome de famílias inadimplentes, por meio da compra de dívidas antigas com recursos do
Tesouro Nacional.
Pesquisa divulgada ontem pelo Datafolha para presidente indicou que Lula tem 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 36% de Flávio Bolsonaro. Na pesquisa anterior, o presidente tinha 39% e o candidato do PL, 36%. No segundo turno, Lula aparece com 47% e Flávio, com 45%. Há uma semana, os placares eram de 46% e 44%, respectivamente. O Datafolha ouviu 2.002 eleitores.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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