São Paulo, 27 de julho de 2026 – O mercado financeiro global iniciou a semana otimista, após uma aparente diminuição das tensões no Oriente Médio. O petróleo despenca. Dólar e treasuries operam em baixa e as bolsas reagem, sentimento que deve se estender as primeiras negociações locais.
Estados Unidos e Irã suspenderam os ataques militares no fim de semana, encerrando duas semanas de confrontos e alimentando expectativas de uma solução diplomática que reduza as tensões no Oriente Médio e permita a retomada gradual da navegação pelo Estreito de Ormuz.
Na semana passada, o Brent chegou a atingir US$ 100 por barril em meio ao agravamento do conflito, que reduziu o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e se estendeu ao Mar Vermelho, prejudicando as exportações da Arábia Saudita para a Ásia por meio do estreito de Bab el-Mandeb.
A decisão do banco central americano será anunciada na quarta-feira. Os mercados atribuem cerca de um terço de probabilidade a um aumento dos juros, embora a maior parte dos analistas considere improvável que o presidente da instituição, Kevin Warsh, promova uma elevação já neste encontro.
Além do Fed, o Banco da Inglaterra divulgará sua decisão na quinta-feira e o Banco do Japão na sexta-feira. A expectativa predominante é de manutenção das taxas de juros por ambas as autoridades monetárias, embora com discurso cauteloso em relação à inflação.
A temporada de resultados corporativos também concentra as atenções do mercado. Cerca de um terço das empresas do S&P 500 divulgará seus balanços nesta semana. Os investidores acompanham com atenção os resultados de Microsoft, Meta, Amazon, Apple e Qualcomm, em meio às crescentes preocupações com o elevado volume de investimentos em inteligência artificial.
Na agenda econômica, os destaques da semana incluem a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo trimestre, com expectativa de crescimento anualizado de 1,5%, além do índice de preços PCE de junho, renda e gastos
Focus
As instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus reduziram de 5,15% para 5,12% a previsão para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. A meta para a inflação no período é de 3,00%.
A previsão de inflação nos preços administrados – que são controlados por contrato ou pelo poder público – ficou estável em 5,00%, enquanto a projeção para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) caiu de 5,55% para 5,42%.
Para 2027, as instituições financeiras elevaram de 4,20% para 4,22% a previsão para a inflação medida pelo IPCA. A meta para a inflação no período é de 3,00%.
A previsão de inflação nos preços administrados em 2027 aumentou de 3,85% para 3,90%, enquanto a projeção para a inflação medida pelo IGP-M subiu de 4,12% para 4,16%.
As instituições mantiveram em 1,99% a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A projeção para 2027 diminuiu de 1,65% para 1,60%.
O BC estima que a economia brasileira crescerá 2% em 2026, segundo a edição mais recente do Relatório de Política Monetária (RPM), publicada em junho.
A pesquisa manteve em 14,00% a previsão para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026. Atualmente, ela está em 14,25%, o que significa que o mercado espera um corte de 0,25 ponto porcentual (pp) até o final do ano. Para 2027, a estimativa para a taxa Selic manteve-se em 12,00%.
A projeção para a taxa de câmbio em 2026 ficou estável em R$ 5,20 por dólar, enquanto a estimativa para 2026 subiu de R$ 5,28 para R$ 5,29 por dólar. Quatro semanas atrás, a previsão para 2026 era igual, mas a estimativa para 2026 era menor, de R$ 5,28.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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