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Fed deve manter taxas inalteradas; recente alta do petróleo segue no radar

Porto Alegre, 27 de julho de 2026 – Para a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na sigla em inglês), nesta quarta-feira (29), o mercado acredita que não deve haver alteração na política monetária. Assim, os juros devem permanecer na faixa entre 3,5% e 3,75%. O Comitê se reúne entre terça e quarta e a decisão será divulgada às 15h da quarta.

Na segunda-feira, 27 de julho, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 64,2% de chance de manutenção do juro no encontro da quarta-feira. A aposta de uma elevação de 0,25 ponto percentual era de 35,8%.

Para 16 de setembro, as apostas de juros mantidos nos atuais níveis caem para 18,5%; 56% projetam taxas entre 3,75% e 4% ao ano e 25,5% estão trabalhando com taxa de 4% a 4,25%. Para outubro, a ferramenta indica 13,2% de chances de juros entre 3,5% e 3,75%; 45,2% a 3,75% a 4%; 34,3% de taxa a 4% a 4,25% ao ano e 7,3% apostam em taxa de 4,25% a 4,5%.

A expectativa em torno da reunião do Fed aumentou após a disparada dos preços do petróleo nas últimas semanas. Em relatório divulgado no domingo, segundo a agência Dow Jones, estrategistas do Citigroup afirmaram que, embora não exista consenso sobre o resultado da reunião, um comunicado mais duro ou uma eventual alta de juros representam riscos relevantes para o mercado acionário. Mesmo que o Fed mantenha os juros inalterados, o banco observa que o mercado atribui mais de 70% de probabilidade a uma elevação da taxa na reunião de setembro.

Os analistas destacam ainda que o presidente do Fed, Kevin Warsh, indicou que pretende reduzir a sinalização antecipada sobre os próximos passos da política monetária. Com isso, os investidores deverão concentrar ainda mais atenção nos indicadores econômicos e nas próximas reuniões do banco central.

Para os economistas do ING, o O Federal Reserve deverá manter a taxa básica de juros inalterada. Para o banco, a desaceleração da inflação em junho e o enfraquecimento do mercado de trabalho reduzem a necessidade de um aperto monetário imediato.

O ING destaca que os dados de inflação vieram abaixo das expectativas, tanto no índice de preços ao consumidor (CPI) quanto no índice de preços ao produtor (PPI), enquanto o Livro Bege do Fed apresentou um tom moderado em relação às pressões inflacionárias. Além disso, o relatório de emprego mostrou criação de apenas 57 mil vagas em junho, bem abaixo da média de 164 mil observada nos três meses anteriores.

O banco ressalta que a principal variável para a política monetária continua sendo a evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã e seus impactos sobre os preços da energia.

Para o Bank of America (BofA), o cenário-base continua sendo de manutenção da taxa de juros pelo Federal Reserve, embora a recente disparada dos preços do petróleo tenha tornado a decisão muito mais equilibrada, segundo análise de mercado.

“O presidente do Fed, Kevin Warsh, enfrenta uma decisão difícil. Manter os juros inalterados pode levantar questionamentos sobre o compromisso da autoridade monetária com o controle da inflação. Por outro lado, elevar a taxa contrariaria sua própria visão de que o banco central deve evitar reagir a choques temporários de oferta, como o recente aumento dos preços da energia”, aponta o banco.

A avaliação é de que a decisão dependerá principalmente de Warsh, que teria apoio suficiente para conduzir o Comitê em qualquer uma das direções. Ainda assim, o cenário esperado continua sendo de manutenção dos juros nesta reunião, seguida por três altas de 25 pontos-base, previstas para setembro, outubro e dezembro.

Dylan Della Pasqua / Safras News

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