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RADAR DO DIA: Mercado repercute decisão do Copom e monitora situação no Oriente Médio; Petrobras divulga resultados

São Paulo, 6 de agosto de 2026 – Como amplamente esperado, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa Selic em 0,25 ponto para 14% ao ano. A decisão foi anunciada após o fechamento do mercado, que hoje deve repercutir menos a decisão e mais o tom do comunicado. No exterior, em dia de agenda vazia, as atenções estarão concentradas nas negociações entre Irã e Estados Unidos em busca de uma solução para o conflito no Oriente Médio.

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual para 14% ao ano. A decisão foi unânime e dentro do esperado pela maioria do mercado.

“Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informa o comunicado, divulgado junto com a decisão.

O Copom entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.

Segundo o Comitê, o cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. “O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, destaca que o tom do comunicado veio cauteloso, chamando atenção para os choques inflacionários com a alta do petróleo e efeitos climáticos que impactam o custo de energia. “Acredito que a decisão de queda de juros foi acertada, visto que apesar de um tom cauteloso, seguimos com o juro real elevado e temos também alguns pontos positivos com relação a pressão inflacionária, como por exemplo, o preço das commodities mais baixo e uma desaceleração da atividade econômica maior do que a projetada pelo banco central”.

Segundo ele, o comunicado já vinha sendo bem precificado no mercado e “acredito que a amanhã há pouco espaço na bolsa para grandes oscilações que venham apenas do tema COPOM, já que não veio nenhuma surpresa. As tendências de curto prazo devem se manter em dólar, juros e bolsa”.

O mercado acompanha as negociações entre Estados Unidos, Irã e Omã sobre um acordo para restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz. Segundo o Wall Street Journal, os países estariam finalizando uma proposta que daria ao Irã supervisão sobre as embarcações que ingressam no Golfo Pérsico, sem permitir a cobrança de tarifas ou pedágios.

Apesar do avanço das negociações, analistas observam que o mercado permanece cauteloso diante das sucessivas tentativas frustradas de acordo ao longo dos últimos meses. Além disso, dados divulgados nos Estados Unidos mostraram aumento de 2,5 milhões de barris nos estoques de petróleo bruto na última semana, contrariando a expectativa de redução.

No campo corporativo, as atenções se voltam para o resultado da Petrobras no segundo trimestre. Os dados serão divulgados após o fechamento do mercado.

Dylan Della Pasqua / Agência Safras

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